Coleção Tela Crítica – Análise de filmes em CD-ROM
A coleção apresenta uma densa e exaustiva reflexão critica sobre as dimensões da modernidade burguesa através da análise de elementos compositivos da narrativa fílmica como imagens e clips de vídeo do filme.
O cd-rom deve contribuir para a formação teórico-critica do professor e sua utilização deve ser acompanhada pela leitura cuidadosa do livro “Tela Crítica – Metodologia de Análise Critica do Filme”. Confira abaixo todos os CDs que fazem parte da coleção.
Autor:
Giovanni Alves
CD 1 – Tempos Modernos
Charles Chaplin (1936)
ISBN 978-85-7917-087-4
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O filme “Tempos Modernos”, de Chaplin Chaplin (EUA, 1936), é uma novela trágica que nos apresenta as múltiplas contradições da modernidade do capital. Chaplin trata de uma série de “paradoxo” da modernidade burguesa. Em “Tempos Modernos” a tragédia tende a se interverter em comédia (com tonalidades de ternura). A tragédia da modernidade capitalista em sua dimensão fordista-taylorista, nos aparece sob a forma da comicidade (como já fizeram, por exemplo, René Clair em “À Nós a Liberdade”, e mais tarde, Jacques Tati, em “Meu Tio”). Enfim, “Tempos Modernos” explicita a própria “contradição viva” do capital, capaz de articular, nas condições sócio-históricas da modernidade burguesa, desespero e esperança. No filme, Charles Chaplin nos apresenta um complexo de símbolos da modernidade capitalista. Por exemplo, logo na abertura do filme, aparece um relógio, um relógio de ponto, o símbolo-objeto do controle do tempo de trabalho na fábrica fordista-taylorista. O cronômetro é o símbolo do verdadeiro espírito do capital na segunda modernidade, onde a apropriação de excedente ocorre através da intensificação do trabalho, apendicizado à linha de montagem. Na verdade, é através do cronômetro que se objetiva a medida do valor, calculado pelo tempo de trabalho socialmente necessário à produção de mercadorias. Como diz o ditado: time is money. Com o fordismo-taylorismo, o capital aparece como o senhor do tempo (e do espaço).
CD 2 – Metrópolis
Fritz Lang (Alemanha, 1927)
ISBN 978-85-7917-088-1
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Em “Metropólis”, filme clássico de Fritz Lang (Alemanha, 1927), existe um sentido premonitório da civilização da modernidade-máquina e de sua expansividade irremediável. Quando dizemos modernidade-máquina, dizemos máquina-capital, baseada em relações sociais de exploração da força de trabalho e formas de sociabilidade estranhadas (ideologia, Estado político, organizações burocráticas e trabalho como atividade exclusiva). Apesar de ¿Metropólis¿ ser de 1927, ele consegue explicitar, através de sua narrativa, permeada de geniais imagens-metáforas, tendências sociais e políticas que iriam imprimir sua marca no capitalismo do século XX. É por isso que se tornou, não apenas um filme clássico, mas um film cult do cinema mundial, tão controverso quanto, por exemplo, “2001 - Uma Odisséia no Espaço”, de Stanley Kubrick. A capacidade de expansividade da modernidade-máquina (que é a modernidade do capital) estava presente desde os primórdios do capitalismo industrial. Desde que surgiu, a máquina capitalista continha a ameaça de impregnar a vida social com sua racionalidade tecnológica. A tecnologia é não apenas técnica, mas forma social. Por isso, a denominamos de máquina-capital, onde capital é a forma de controle do metabolismo social. A capacidade de expansivadade da tecnologia vincula-se, por um lado, à condição ineliminável da técnica como mediação do intercâmbio orgânico entre o homem e a natureza. E, por outro lado, à forma social da técnica. O que denominamos de tecnologia é a forma social da técnica na civilização do capital. E o capital é uma “forma incontrolável de controle sócio-metabólico”, como diria I. Meszáros.
CD 3 – À Nós A Liberdade
René Clair (1931)
ISBN 978-85-7917-089-8
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“À Nós A Liberdade”, de René Clair, é um dos filmes clássicos do cinema mundial, produzido na França, em 1931, e que inspirou Tempos Modernos, de Charles Chaplin (de 1936). Podemos considerar “À Nós A Liberdade”, uma dos primeiros filmes a tecer, com poesia e humor, uma critica visceral da sociedade industrial baseada na produção fordista-taylorista. Ao buscarem uma vida plena de sentido, Émile e Louis, personagens de “À Nós A Liberdade”, consideram a liberdade e, por conseguinte, a felicidade, valores universais incapazes de serem alcançados sob a ordem sócio-metabólica do capital baseada no trabalho estranhado. Talvez Émile e Louis sejam portadores dos ideais clássicos da Revolução Francesa de 1789 – “Liberté, Egalité e Fraternité”, frustrados pela burguesia ao tomar o poder. No filme, Émile e Louis buscam a realização pessoal através do ócio. Eles fogem irremediavelmente da modernidade-máquina e das disposições sistêmicas do trabalho estranhado com a lógica férrea do capital. Ora, a busca do ócio como atividade exclusiva é sintoma de uma sociedade do trabalho abstrato, onde a atividade humano-genérica do trabalho perdeu seu sentido de vida. Sob tal sistema social, trabalho tende a significar servidão e morte, possuindo, deste modo, um valor negativo. É tal significação estranhada do trabalho que levam Émile e Louis, os dois personagens de “À Nós A Liberdade”, a buscarem, a seu modo, um outro caminho.
CD 4 – A Terra treme
Luchino Visconti (1948)
ISBN 978-85-7917-144-7
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O filme de Luchino Visconti, “A Terra Treme”, de 1948, expõe com o vigor do cinema neorealista, aspectos da proletariedade de trabalhadores do mar, pescadores da cidade de Acitrezza, litoral da Sicília (Itália), que em fins da década de 1940 era uma das regiões mais pobres do País (coube ao povo de Acitrezza a interpretação dos personagens de “La terra trema”). Revoltado com a exploração dos comerciantes de peixe, o jovem ‘Ntoni tenta convencer seus colegas pescadores a trabalhar por conta própria. Luchino Visconti trata em “A Terra Treme”, de um anseio contingente do proletário que vê como saída para sua condição alienada, tornar-se pequeno proprietário. O anseio pela emancipação do trabalho alienado ocorre por meio da saída individual (ou familiar) de ‘Ntoni que almeja tornar-se proprietário de seus meios de produção. O anseio de ‘Ntoni é o anseio contingente (e limitado) de parcela de trabalhadores proletários. Entretanto, ao fracassar em seu intento, ‘Ntoni demonstrará que não apenas o mar é amargo, mas o mercado é cruel. Ele não perdoa aqueles que ousam enfrentar os elementos da ordem estrutural do capital. Os Valastros são amaldiçoados pelo “destino”, porque ousaram pensar de forma diferente e enfrentar, sozinhos, o mundo da injustiça social e da dominação do capital.
CD 5 – Ladrões de Bicicleta
Vittorio De Sica (1948)
ISBN 978-85-7917-115-4
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O filme “Ladrões de Bicicleta”, de Vittorio De Sica (1948), um dos clássicos do cinema neorealista italiano, possui uma trama narrativa singela: um desempregado, Antonio Ricci, consegue uma vaga de emprego como colador de cartazes. Mas a exigência para a obtenção da vaga é possuir uma bicicleta. Ricci a possui, mas ela está empenhada. Maria, sua mulher, decide empenhar os lençóis da cama e retira, na mesma loja de penhores, a bicicleta. Antonio Ricci consegue o emprego e começa a trabalhar numa manhã de sábado. Entretanto, enquanto colava cartazes, Ricci tem a sua bicicleta roubada. Desesperado, ele tenta encontrá-la com a ajuda do filho Bruno. Ele busca apoio da policia e dos amigos. Mas é procurando por conta própria, ao lado de Bruno, que Antonio Ricci se encontrará imerso numa experiência de dor e angústia com a perda do meio de trabalho. “Ladrões de Bicicleta” trata da condição de proletariedade extrema abordando o drama social do desemprego de longa duração que atingiu larga parcela do proletariado italiano no pós-guerra. Expõe de uma forma candente situações extremas que são capazes de exprimir com clareza e intensidade os elementos constitutivos da condição de proletariedade em sua forma primordial.
CD 6
Salário do Medo - Henri-Georges Clouzout (1953)
ISBN 978-85-7917-116-1
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Num país miserável da América Central (Guatemala), quatro homens - Mario, Jo, Bimba e Luigi – são selecionados para transportar, por uma estrada de difícil acesso, uma imensa carga de explosivos (200 galões de nitroglicerina) destinada a extinguir um incêndio num poço de petróleo da SOC (Southern Oil Company). O filme “Salário do Medo” é um thriller de suspense de Henri-Georges Clouzout, produzido em 1953 e baseado no romance homônimo de Georges Arnaud (Clouzot fez a adaptação e os diálogos do filme). Neste filme temos elementos para refletir sobre a condição de proletariedade sob a forma da precariedade salarial extrema. A forma extrema da precariedade salarial exposta no filme (proletários desempregados obrigados a assumirem empreitadas de risco) propicia a intensa visibilidade dos atributos existenciais da condição da proletariedade. Ela contribui para uma reflexão crítica sobre elementos sócio-ontológicos da proletariedade moderna que perpassam, em maior ou menor proporção, o conjunto dos trabalhadores assalariados. De certo modo, todos nós somos, em maior ou menos proporção, os “estrangeiros” do filme de Henri-Georges Clouzot (Mario, Jo, Bimba e Luigi). Há um lastro de identidade entre nós e eles, obrigados, pelas circunstâncias da contingencia de proletariedade, a conduzirem caminhões carregados de nitroglicerina pelas estradas precárias do interior da Guatemala. Talvez o mundo capitalista hoje, mais do que nunca, seja uma imensa Las Piedras. Deste modo, o filme de Clouzot (e o romance de Arnaud) contém uma candente metáfora da condição de proletariedade.
CD 7 – Beleza Americana
Sam Mendes (1999)
ISBN 978-85-7917-117-8
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A narrativa de “Beleza Americana” é muito singela: Lester Burham é um empregado da Indústria de Propaganda, homem de meia-idade, que possui uma vida familiar medíocre e insatisfatória (o que ele diria a stupid litlle life). Certa noite, fascinado por uma jovem adolescente, amiga de sua filha Jane, tem sua vida convulsionada por sonhos, desejos e fantasias. A partir daí, Lester, atingido por uma crise de adolescência tardia, é levado a romper com seu estilo de vida burguês, mudando sua forma de ser na família, no trabalho e na relação consigo mesmo. Seu comportamento diruptivo irá levá-lo a uma tragédia. Este pequeno filme clássico de Sam Mendes nos sugere uma densa reflexão sobre a crise da família burguesa como crise estrutural da sociabilidade sob as condições do capitalismo hipertardio. Na verdade, a sociabilidade mercantil tende a dissolver a família como instância sócio-comunitária. O filme explicita como a estrutura do cotidiano burguês é caracterizado por relações sociais fetichizadas e estranhadas e que a crise da família é um dos elementos da crise estrutural do capital e decorre da exacerbação de formas fetichizadas e estranhadas na sociedade burguesa. Aliás, com a crise estrutural do capital se exacerbam o estranhamento e o fetichismo da mercadoria em suas múltiplas manifestações na reprodução social. Por isso, “Beleza Americana” é um filme cult - ele nos ajuda a refletir sobre a miséria da alienação capitalista que corrói irremediavelmente as relações sócio-humanas.
CD 8 – Segunda-Feira ao Sol
Fernando Léon de Aranoa (2002)
ISBN 978-85-7917-118-5
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Numa pequena cidade industrial ao norte da Espanha, na região da Galicia, um grupo de amigos, ex-operários metalúrgicos da indústria naval (Santa, José, Lino e Amador), se reúne no Bar Naval, pequeno bar de outro ex-operário (Rico), onde conversam e compartilham frustrações e esperanças. Na verdade, em torno do Bar Naval gravitam as narrativas dramáticas destes homens, vítimas do desemprego de longa duração, que giram, como astros excêntricos, no ¿sistema solar¿ do capital. Um dos principais personagens é Santa (interpretado por Javier Barden), homem solitário, apesar de sociável e de espírito solidário. É ex-liderança sindical de base, de personalidade marcante, organizador nato, ¿intelectual orgânico¿ de um coletivo de trabalho desestruturado pela reestruturação produtiva do capital. O estaleiro naval em que trabalhavam (estaleiro Aurora) foi adquirido (e desativado) por investidores coreanos, que pretendem construir no local, um hotel turístico de alto luxo. O diretor Fernando Leon de Aranoa, expõe com lirismo, humor e angústia, a fenomenologia da tragédia social (e pessoal) do desemprego. Estamos diante de uma narrativa singela, mas complexa; de múltiplos significados metafóricos, a partir dos quais podemos apreender nexos singulares (e particulares) da sociabilidade estranhada do capital.
CD 9 – Pão e Rosas
Ken Loach (2000)
ISBN 978-85-7917-131-4
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O filme “Pão e Rosas”, de Ken Loach (2000), apresenta importantes elementos temáticos que tratam da situação do trabalho sob o capitalismo global. Primeiro, ele aborda a questão das migrações laborais - no caso, a migração ilegal de proletários desempregados do México (e da América Central) para os EUA; depois, trata da precariedade salarial extrema no setor de serviços de baixa qualificação (no caso, empregados faxineiros de prédios de escritórios em Los Angeles); e finalmente, o filme expõe a luta pelo reconhecimento da organização sindical dos setores pobres do mundo do trabalho. O filme baseia-se em fato verídico ocorrido no importante centro comercial de Los Angeles (Century City’s Office) em maio de 1990, quando cerca de 500 a 700 trabalhadores faxineiros dos prédios comerciais da região, parte deles de imigrantes ilegais, decidiram entrar em greve reivindicando melhores salários. A paralisação dos zeladores que durou de 29 de maio a 26 de junho de 1990, atingiu prédios de escritórios de importantes corporações internacioais no centro de Los Angeles. A paralisação atingiu os trabalhadores faxineiros da ISS (International Service System Inc), uma das maiores empresas de subcontratação de zeladores para serviços em prédios comerciais nos EUA (a ISS possui capital dinamarquês).
CD 10 – Eles não usam black-tie
Leon Hirzsman (1981)
ISBN 978-85-7917-132-1
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O filme “Eles não usam black-tie”, de Leon Hirzsman (1981), expõe a problemática da consciência de classe a partir da dialética entre contingencia e necessidade (das respostas) da classe do proletariado à condição existencial de proletariedade. Eis a questão: a consciência de classe necessária - que constitui a classe social do proletariado - emerge das respostas que as individualidades pessoais de classe são obrigadas a dar - no plano da contingencia da vida cotidiana - à condição existencial de proletariedade. No caso do filme de Leon Hirzsman as respostas dadas pelos homens e mulheres operárias à condição de proletariedade exposta no decorrer do filme assumiram um caráter coletivo, organizado no movimento sindical. Ora, como observou Georg Lukács, “o homem é um ser que dá respostas”. O que significa que, homens e mulheres proletárias imersas em sua condição de proletariedade são obrigados a dar resposta à alienação/estranhamento que permeiam suas vidas cotidianas. Na verdade, o que se coloca como questão essencial é a natureza das respostas humanas contingentes e necessárias capazes de constituírem, no plano do imaginário social, a identidade de classe do proletariado.
CD 11 – O Corte
Costa-Gavras (2004)
ISBN 978-85-7917-133-8
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O filme “O Corte”, de Costa-Gavras (2004), baseado no romance homonimo de Donald E. Westlake, trata de um tema crucial na época do capitalismo global: a produção de uma massa de proletários superfluos para as necessidades de acumulação do capital. No caso do filme de Costa-Gavras, trata-se da superfluidade de “proletários de classe média”, vítimas do downsizing (que em português quer dizer “achatamento”) aplicado pelas corporações industriais. O downsizing é um técnica de racionalização capitalista da produção, isto é, de reestruturação produtiva do capital. Na verdade, trata-se de um projeto de racionalização industriais que privilegia práticas que mantenham a organização mais enxuta possível (o downsizing é uma técnica de racionalização corporativa indispensável na empresa toyotista). Muitas vezes, ele implica o fechamento de unidades produtivas e sua deslocalização para os greenfields (ou zonas de baixos salários e escassa pressão sindical). Com o downsizing, as grandes empresas fazem cortes de força de trabalho, buscando não apenas cortar custos de produção, mas sinalizar para os investidores no mercado financeiro, que estão perseguindo mais produtividade e melhor desempenho, e portanto, visando obter mais lucros e dividendos para seus acionistas. Portanto, com a predominancia do capital financeiro, o downsizing tornou-se uma prática corriqueira nas grandes empresas na época da mundialização do capital.
CD 12 – O que você faria?
Marcelo Piñeyro (2005)
ISBN 978-85-7917-134-5
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Cinco homens e duas mulheres disputam uma vaga para um alto cargo executivo de uma grande empresa em Madri (Espanha). Os candidatos participam da última etapa da seleção, do qual apenas um restará. Fechados numa sala, as provas são elaboradas baseadas num chamado “Método Grönholm”, que basicamente incitará os piores instintos de cada candidato na tentativa de eliminar os concorrentes. Esta é a trama narrativa do filme “O Que Você Faria?” (El método), de Marcelo Piñeyro, produzido em 2005, que baseia-se na peça de teatro “El método” (de 2003), escrita pelo autor catalão Jordi Galcerán. O chamado “método Grönholm” é um método de contratação de pessoal onde o avaliador faz jogos psicológicos entre os participantes e joga uns contra os outros. É composto por testes psicológicos e práticas que induzem ao comportamento nervoso e transparente, uma vez que os candidatos são submetidos a situações extremas que os jogam um contra o outro. Nesse contexto, conflitos e discussões abrem espaço para a insegurança, de forma que o candidato lute com todas as forças para sair ileso desse processo, tanto física como emocionalmente, e de preferência, com o emprego conquistado. Ao final, o vencedor será aquele que resistir a todas as pressões e ao estresse, e demonstrar alto grau de equilíbrio psicológico e emocional. Na era do capitalismo manipulatório o capital busca semear um complexo de afetos contraditórios na alma humana. É o que o filme “O Que Você Faria?” nos apresenta com genialidade. Na verdade, o método Grönholm revolve a subjetividade pessoal, esgarçando-a com afetos contraditórios.
CD 13 – A classe operária vai ao paraíso
Elio Petri (1971)
ISBN 978-85-7917-135-2
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No filme “A classe operária vai ao paraíso”, de Elio Petri (Itália, 1971), Lulu Massa é um operário consumido pelo capital e cujo trabalho estranhado consome sua vida. A fábrica adota sistema de quotas (metas) que intensifica a produção. Lulu é o operário-padrão da fábrica, sendo hostilizado pelos outros companheiros de chão de fábrica. Após perder um dedo na máquina, Lulu adota uma atitude critica ao modelo de exploração, confrontando a gerencia. Os operários (situação e oposição sindical) contestam as cotas. Após uma greve, Lulu é demitido. Depois de negociações, ele consegue ser readmitido na fábrica, voltando à linha de produção e reintegrando-se ao coletivo de trabalho. Por conta da mobilização operária, o sistema de cotas é revisto pela direção da fábrica. Deste modo, podemos caracterizar a estrutura lógico-explicativa da analise critica do filme de Elio Petri a partir de dois importantes eixos: primeiro, produção de mais-valia relativa (inovação técnico-organizacional do capital), desvalorização da força de trabalho como mercadoria, degradação do trabalho vivo (saúde do trabalhador) e resistência contingente e necessária do proletariado. Segundo, capital consome trabalho vivo e trabalho estranhado consome vida. Os dois eixos explicativos da estrutura narrativa do filme constituem os traços essenciais do que seria a precarização (e precariedade) do trabalho no capitalismo global.
CD 14 – 2001 – Uma Odisséia no Espaço
Stanley Kubrick (1968)
ISBN 978-85-7917-140-6
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O filme “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, de Stanley Kubrick (EUA, 1968) trata da categoria trabalho como elemento histórico-ontológico ineliminável do desenvolvimento do ser genérico do homem, inclusive, buscando apreender a técnica (e tecnologia) como elemento compositivo ineliminável do processo civilizatório e da evolução do homem como espécie. O tema significativo do filme clássico de Stanley Kubrick é o tema do processo de hominização/humanização. Neste momento, ele se vincula, através da sugestão de Kubrick, com a técnica e a tecnologia (o que significa que não pode deixar de expressar suas determinações sociais estranhadas, como sugere, por exemplo, a presença e o “surto psicótico” do computador HAL 9000 no filme). Em 2001–Uma Odisséia no Espaço, ao salientar a importância da técnica no processo de evolução do homem, Stanley Kubrick sugere a centralidade ontológica da categoria do trabalho. De certo modo, o que ele nos apresenta é o processo de hominização/humanização, da evolução do homem-macaco ao homem moderno. Ao mesmo tempo, Kubrick expõe, de forma sutil, as agudas contradições do desenvolvimento do homem como ser genérico obliterado pelas determinações estranhadas da relação-capital.
CD 15 – A Agenda
Laurent Cantet (2001)
ISBN 978-85-7917-141-3
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A narrativa do filme é singela: Vincent está desempregado, mas sem coragem de contar à esposa e aos três filhos. Todas as manhãs ele sai para “trabalhar”, mas na verdade fica perambulando pela cidade. No seu desespero por se reintegrar à sociedade, Vincent simula viagens de negócios e chega ao cúmulo de entrar em escritórios e cumprimentar as pessoas como se fosse parte da equipe. Quanto mais o tempo passa, mais Vincent se enrola para convencer a família de que tem uma agenda cheia de compromissos e suas mentiras começam a surtir efeito, aumentando os problemas familiares e sua angústia pessoal. No filme “A Agenda”, de Laurent Cantet, explicita-se, com vigor, dimensões candentes do capitalismo como farsa. É sob o capitalismo global que o sistema sócio-metábolico do capital expõe, mais do que nunca, suas intensas (e ampliadas) contradições sócio-históricas. O filme de Laurent Cantet nos sugere através de sua narrativa instigante uma série de elementos preciosos para uma reflexão crítica sobre o metabolismo social do trabalho estranhado nas condições históricas do capitalismo global. Todos nós somos um pouco Vincent, personagem principal do filme – eis o sentido da análise critica do filme capaz de nos propiciar o cinema como experiência (auto)critica. Talvez através da narrativa de Cantet possamos apreender a natureza íntima da precariedade do trabalho no capitalismo global.
CD 16 – Vinhas da Ira
John Ford (1940)
ISBN 978-85-7917-142-0
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O filme de John Ford, “Vinhas da Ira” (1940), baseado no romance homônimo de John Steinback, é uma crônica da proletarização do trabalho. Steinback retrata com vigor dramático um fato histórico: a “dust bowl” (ou tempestades de poeira) e o drama dos “okies”, arrendatários expulsos de suas terras em 1935 no Estado de Oklahoma nos EUA. Ao longo da década de 1930, a depressão assolava os Estados Unidos da América e a tragédia dos “okies” expunha as contradições sociais do capitalismo norte-americano. Em meados da década de 1930, um fenômeno natural – as intensas tempestades de poeira – atingiu a região dos pequenos agricultores, tornando a terra improdutiva. As intempéries da natureza inviabilizaram, na ótica do capital, o sistema de arrendamento. Depauperadas, as terras foram tomadas pelos bancos, que expulsaram as famílias arrendatárias, destruindo o sistema de comunidades agrícolas que vigorava na região. Milhares de famílias pobres tiveram que emigrar, tornando-se proletários agrícolas. Assim, se “Vinhas da Ira” é uma crônica da proletarização do trabalho vivo, é também um drama complexo e candente do processo de formação primordial da consciência de classe de proletários agrícolas, ex-arrendatários que aos poucos se desiludem a aprendem a verdade de ser trabalhadores assalariados.
CD 17 – Laranja Mecânica
Stanley Kubrick (1971)
ISBN 978-85-7917-143-7
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Na Londres de um futuro não muito distante, o jovem Alex DeLarge e seus amigos (Pete, Georgie e Dim), praticam ultraviolência (espancam mendigos, enfrentam gang rival, provocam acidentes na estrada, assaltam e estupram casa de família). Certo dia, ao assaltar a mansão de uma criadora de gatos, Alex é traído pelos amigos e é capturado pela polícia. Acusado da morte de sua vítima de assalto, é condenado a 14 anos de prisão. Na penitenciária, Alex se oferece para ser cobaia do Tratamento Ludovico, que busca regenerar criminosos comuns através da eliminação do reflexo criminal. A Técnica Ludovico manipula o cérebro utilizando drogas e vídeos. Após ser considerado curado, Alex sai da prisão e reencontra suas vítimas (mendigos, ex-amigos policiais e o intelectual de oposição). Sua tentativa de suicídio causa clamor na imprensa, levando o governo a abandonar a técnica Ludovico e a dar a Alex um tratamento especial, buscando, deste modo, recuperar a imagem do governo junto à opinião pública. O filme “Laranja Mecânica”, de Stanley Kubrick, expõe elementos da crise do Estado capitalista enquanto manifestação fenomênica da crise estrutural do capital. Ele também nos apresenta elementos das novas formas de subjetivação da barbárie social (o que chamamos de sócio-metabolismo da barbárie), que se desenvolvem no bojo da nova ordem do capital que surge a partir desta crise estrutural. O novo metabolismo social é caracterizado pela exacerbação de formas estranhadas e fetichizadas do capital, tendo como seu traço fundamental, o particularismo.
CD 18 – Meu Tio
Jacques Tati (1958)
ISBN 978-85-7917-144-4
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O filme “Meu Tio”, de Jacques Tati (1958) é um gracioso convite à reflexão sobre a modernidade do capital. O processo de desenvolvimento do capital é intrinsecamente contraditório – é isto que Tati nos sugere. Em “Meu Tio”, a dialética lírica entre Tradição e Modernidade é flagrante. Tati consegue apreender, com sutileza, um dos traços marcantes da alta-modernidade, em sua etapa desenvolvida: sua transitividade, isto é, a coexistência e convivência de elementos pré-capitalistas, da tradição artesanal, de modos de vida tradicionais, no bojo da modernidade expansiva do capital. Deste modo, em Meu Tio, de Jacques Tati, não só é possível apreender a coexistência tensa entre o moderno e a tradição, mas a sua convivência e transitividade, mesmo que reconheçamos o avanço irremediável da modernidade-máquina. Enfim, em Jacque Tati a modernidade propriamente dita, ou a segunda modernidade, como temos salientado, é intrinsecamente transitiva. Como diz um dos personagens de Meu Tio – “É moderno. Tudo comunica.” Na verdade, o filme de Jacques Tati, é um ótimo exercício para apreender o sentido complexo da modernidade burguesa, no ápice de seu desenvolvimento, da fase de ascensão histórica do capital. É, com certeza, o último momento do projeto civilizatório da modernidade-mundo.
CD 19 – Morte de um caixeiro viajante
Volker Schlondorff (1985)
ISBN 978-85-7917-145-1
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O filme “Morte de um caixeiro-viajante”, de Volker Schlondorff, produzido para a TV alemã, em 1985, e que teve Dustin Hoffmann numa de suas melhores atuações, fazendo o papel de Willy Loman, é um filme baseado na peça homônima do dramaturgo estadunidense Arthur Miller (1915-2005), escrita em 1949. Vista por muitos como uma crítica cáustica do “sonho americano” de sucesso, ela tornou Arthur Miller e o personagem principal (Willy Loman), nomes famosos. Foi recebida com críticas entusiasmadas, recebeu o Prêmio Pulitzer para dramas em 1949 e transformou Miller em uma sensação nacional como dramaturgo. Por meio do drama de Arthur Miller, teremos a oportunidade de discutir problemas candentes da precariedade do trabalho no capitalismo global, como, por exemplo, a dissiminação da implicação mercantil na relação laboral ou a constituição de um novo paradigma de trabalhador assalariado: o proletário-mascate, elemento compositivo do sócio-metabolismo da barbárie. O envolvimento intenso de homens e mulheres que vivem do trabalho com a lógica social do mundo das mercadorias, seja nas instâncias sócio-reprodutivas, enquanto consumidores; seja na instância da produção social, enquanto trabalhadores assalariados, implica, de forma crucial, sua subjetividade com o fetichismo da mercadoria. Esta implicação fetichizada com as coisas tende a desefetivar o ser genérico do homem e, portanto, o ser-personalidade do homem que trabalha.
CD 20 – O adversário
Nicole Garcia (2002)
ISBN 978-85-7917-146-8
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A análise critica do filme “O adversário”, de Nicole Garcia (baseado no romance homônimo de Emmanuel Carrère) nos remete, num primeiro momento, à discussão do significado do trabalho e da carreira profissional como valor moral e pressuposto para o reconhecimento social. Vinculados ao trabalho e à carreira profissional, teríamos status e prestigio social, importantes categorias sociológicas compositivas da identidade (e consciência) social. Portanto, a análise critica do filme coloca a reflexão na instância da reprodução social. É na esfera da reprodução social do modo de produção baseado no trabalho estranhado que emerge o complexo do estranhamento social, isto é, o conjunto dos obstáculos sócio-institucionais ao desenvolvimento do ser genérico do homem. Nos filmes “O adversário” (e “O corte”, cuja análise crítica se encontra também disponível em cd-rom), a temática candente é o estranhamento e não o trabalho estranhado propriamente dito. Aliás, os personagens dos filmes são homens desempregados, individualidades de classe imersas em relações sociais estranhadas e enredados em percepções (e auto-percepções) constituídas pelos valores-fetiches da sociedade do trabalho estranhado (por exemplo, o valor-fetiche da carreira e do sucesso profissional). O filme “O adversário” trata de um mundo social específico: o universo existencial de uma fração da classe do proletariado – os “proletários de classe média”, individualidades de classe pertencentes à “classe média” assalariada, enredados intensamente com os referentes sociológicos de status e prestigio social e com os valores-fetiches que constituem o mundo das mercadorias.
CD 21 – O Invasor
Beto Brandt (2001)
ISBN 978-85-7917-149-9
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O filme “O Invasor”, de Beto Brandt (2001) é baseado no romance homônimo de Marçal Aquino. A narrativa do filme é simples: Estevão, Ivan e Giba são sócios em uma construtora – Araújo Associados. Tudo corre bem até o dia em que um desentendimento na condução dos negócios os coloca em conflito. Estevão, o sócio majoritário, ameaça desfazer a sociedade. Ivan e Gilberto, acuados, resolvem eliminar o sócio, contratando Anísio, matador profissional. Após cumprir o plano, Anísio, passa a interferir nos negócios da empresa e a namorar a jovem Marina, filha de Estevão. O filme “O Invasor”, de Beto Brandt, explicita, com vigor, dimensões candentes do sociometabolismo da barbárie nas condições do capitalismo periférico. É importante distinguir barbárie social de barbárie histórica e apreender a morfologia social da barbárie como sistema de perversões sociais. Além disso, é importante salientar, a partir da análise critica do filme, um processo de inversão social que caracteriza a era do sociometabolismo da barbárie: a lumpenização da ‘classe média” e o aburguesamento do lumpesinato. Ora, o processo de lumpenização social que marca as formas capitalistas periféricas sob a mundialização do capital – como retrata o filme “O invasor”, de Beto Brandt – são sintomas candentes do apodrecimento do homem burguês sob o período da decadência histórica do capital.
CD 22 – O sucesso a qualquer preço
James Foley (1990)
ISBN 978-85-7917-150-5
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Num escritório imobiliário de Chicago (EUA) no começo da década de 1990 empregados assalariados da corretora Mitch&Murray têm que enfrentar o desafio de vender sob pena de serem demitidos. São oferecidos prêmios para aqueles que se destacam nas vendas. O primeiro prêmio é um Cadillac; o segundo é um jogo de facas e o terceiro prêmio é a demissão. Na verdade, os tempos são difíceis com a economia norte-americana em recessão. Shelley Levene, Dave Moss e George Aaronow são vendedores veteranos, mas somente Richard Roma está numa maré de sorte. As pistas preciosas de vendas – as “Glengarry Glen Ross” (título original do filme) – são guardadas, tornando-se objeto de desejo dos vendedores por significarem a chance de preservar o emprego. No filme “O Sucesso a qualquer preço”, temos a clara percepção da experiência da precarização do trabalho numa categoria típica de empregados assalariados (corretores de imóveis). Através da experiência de trabalho assalariado dos vendedores de imóveis, explicitam-se as novas formas de estranhamento que perpassam a condição de proletariedade no capitalismo global. Na verdade, no filme, o vendedor de imóvel é a prefiguração típica do trabalhador assalariado do capitalismo global que está hoje mais implicado com disposições mercantis, tendo em vista a redução do contingente de proletários operários industriais e a ampliação do contingente de proletários empregados ligados às atividades de serviços, onde é intenso o contato com o mundo das mercadorias e da relação de venda-e-compra. Esta nova relação salarial do proletário moderno significa maior implicação da subjetividade humana com a forma-mercadoria.

